
DANÇA DO LEÃO
História
A
Dança do Leão (Wushi) é uma reconhecida
tradição do folclore chinês e é
parte das festividades e comemorações como casamentos,
inaugurações de estabelecimentos comerciais
e, principalmente, o Ano Novo Chinês. Geralmente é
realizada por escolas de Kung Fu para espantar os maus espíritos,
trazer sorte, felicidade e prosperidade aos espectadores.
As habilidades fundamentais
para as apresentações incluem força,
resistência, flexibilidade e equilíbrio, além
de executar as diversas posturas do Kung Fu.
Origem
O
leão é tradicionalmente considerado como uma
criatura guardiã em muitas culturas asiáticas.
Ele é representado na tradição budista
como a montaria de Manjusri. A dança do leão
é realizada em muitas culturas asiáticas, incluindo
China, Japão, Vietnã, Coréia, Taiwan
e Tailândia, entre outros, cada país possuindo
seu estilo e propósitos próprios.
A
dança do leão é especialmente popular
na cultura chinesa, com uma história que remonta a
mais de mil anos. Existem vários estilos de dança
do leão, mas a mais popular são a nortista e
a sulista. A dança nortista se originou nas regiões
setentrionais da China, onde era usada para o entretenimento
da corte imperial. O leão nortista é geralmente
de cor vermelha, laranja e amarela (às vezes com pelagem
verde para a leoa), é de aparência desgrenhada
e têm uma cabeça dourada. A dança nortista
é muito acrobática e é realizada principalmente
como entretenimento.
A
dança do leão sulista é de natureza mais
simbólica. Ela é realizada geralmente como uma
cerimônia para exorcizar espíritos maléficos
e para invocar sorte e felicidade. O leão sulista exibe
uma vasta variedade de cores e tem uma cabeça peculiar
com grandes olhos, um espelho na testa e um chifre único
no centro da cabeça.
Tipos de Leões
Os
dois tipos mais populares de dança do leão na
cultura chinesa, são a do leão do norte e a
do leão do sul.
Leão
do Norte
No
norte, os leões geralmente aparecem em pares. Ele têm
um pêlo longo e desgrenhado de cor laranja e amarela,
com um arco vermelho ou verde na cabeça para indicar
se se trata de um macho ou uma fêmea. Os leões
nortistas se parecem com um cão pequinês e seus
movimentos são muito realistas. As acrobacias são
muito comuns, com proezas como se equilibrar ou se balançar
sobre uma bola gigante. Leões nortistas às vezes
aparecem como uma família, com dois grandes leões
"adultos" e um par de "leãozinhos".
Ninghai, em Ningbo, é chamado de "Lar da Dança
do Leão" para a variedade nortista.
Leão
do Sul
Guangdong
é o lar da variedade sulista. Acredita-se que os leões
chifrudos sulistas sejam Nians.
O
estilo sulista pode ser subdividido em Fut San (Montanha do
Buda), Hok San (Montanha do Grou), Fut-Hok (estilo menor que
é quase um híbrido de Fut San e Hock San), Chow
Gar (estilo menor praticado pelos participantes do estilo
de Kung Fu da família Chow) e o Qing Shi (Leão
Verde - popular entre os Fujianos/Hokkianos e Taiwaneses).
Fut San é o estilo que muitas escolas de Kung Fu adoptam.
Ele requer movimentos poderosos e resistência quando
em espera. O leão se torna a representação
da escola de Kung Fu e somente os estudantes mais avançados
podem realizá-lo.
O
estilo Hok San é mais comumente conhecido como um estilo
contemporâneo. O estilo contemporâneo Hok San
combina uma cabeça de leão sulista com os movimentos
do leão nortista. O estilo Hok San tenta reproduzir
um aspecto e movimentos mais realistas, bem como performances
acrobáticas. Sua cauda curta é também
favorita entre as trupes que fazem o salto da baliza.
Quando
o leão que dança entra numa vila ou jurisdição,
imagina-se que ele preste seus respeitos ao templo budista
local, em seguida aos ancestrais e finalmente atravesse as
ruas para trazer felicidade ao povo. Existem três tipos
de leão: o leão dourado, representando vigor;
o leão vermelho, representando coragem; e o leão
verde, representando amizade.
Outros
tipos de leões
Três
outros tipos famosos de leão são identificados
como: Liu Bei, Guan Gong (Kuan Kung) e Zhang Fei. Eles representam
personagens históricos na China, registrados no clássico
Romance dos Três Reinos:
O
leão Liu Bei tem uma cara amarela, cauda multicolorida
e pelagem branca. Ele é descrito como um sábio,
usado pelos mestres das escolas de Kung Fu.
O
leão Guan Gong tem uma cara e cauda vermelhas, e pelagem
negra. Ele é descrito como o mais nobre dos leões,
usado mais comumente em cerimônias.
O
leão Zhang Fei tem cara, cauda e pelagem negras. Ele
é descrito como o leão mais agressivo, usado
por jovens mestres que desejam provar o próprio valor.
O
Choy Chang
Durante
o Ano novo chinês, dançarinos do leão
de escolas de artes marciais costumam visitar lojas para fazer
o "Choy Chang" (significa literalmente "colhendo
verduras"). O comerciante amarra um envelope vermelho
contendo dinheiro numa cabeça de alface e a pendura
em frente a porta da frente. O leão aborda então
a alface como um gato curioso, "engole" a alface
e cospe fora as folhas, mas não o dinheiro. Supõe-se
que a dança do leão traga boa sorte e fortuna
para o negócio, e os dançarinos recebem o dinheiro
como recompensa (além deste aspecto lúdico,
o "choy chang" era encarado como um pedido de proteção
formal; ao aceitar o presente, a escola de Kung Fu cujos alunos
realizavam a dança, comprometia-se a vir em socorro
do comerciante caso seu estabelecimento fosse assaltado).
A tradição tornava-se assim, uma transação
mútua.
Outros
tipos de "verduras" podem também ser usados
para desafiar a trupe, quando, por exemplo, potes de abacaxis,
toranjas, bananas, laranjas e pedaços de cana-de-açúcar
são usados para criar pseudo-barreiras. A dança
é também realizada em outras ocasiões
importantes incluindo festivais chineses, cerimônias
de inauguração de negócios e casamentos
tradicionais.
Hoje em dia, os negócios não exigem muito dos
dançarinos, e este é um dinheiro fácil
para as escolas de artes marciais. Nos dias de antanho,
a
alface era erguida entre 4, 5 e 6 metros de altura e somente
artistas bem treinados em artes marciais podiam alcançar
o dinheiro enquanto dançavam com uma pesada cabeça
de leão. Estes eventos tornaram-se um desafio
público.
Uma grande quantia de dinheiro era oferecida, e a platéia
esperava um bom espetáculo. Algumas vezes, se leões
de várias escolas de artes marciais abordavam a
alface ao mesmo tempo, imaginava-se que os leões
deveriam lutar para decidir quem seria o vencedor.
Os
leões tinham de lutar com refinados movimentos de leão,
em vez dos estilos caóticos de luta de rua. A platéia
então julgava a qualidade das escolas de artes marciais
de acordo com o que os leões haviam lutado. Dado que
a reputação das escolas estava em jogo, as lutas
eram geralmente ferozes, mas civilizadas. O leão vencedor
usaria então métodos criativos e habilidades
de artes marciais para alcançar a recompensa pendente
nas alturas. Alguns leões podiam dançar sobre
pernas de pau e alguns podiam formar pirâmides humanas
compostas por seus colegas de escola. Os dançarinos
e as escolas ganhavam elogios e respeito, em acréscimo
à grande recompensa financeira, quando se saíam
bem.
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